[Por: Joaquim Armindo]
“A violência praticada por agentes de segurança pública aparece no relatório do Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) como um dos componentes do quadro de violência letal contra os povos indígenas entre 2020 a 2026. O documento, publicado neste mês de agosto, destaca assassinatos cometidos diretamente por policiais, operações contra retomadas territoriais, denúncias de participação ou proteção de agentes públicos a grupos privados e episódios em que policiais estavam presentes diante de ataques sem impedir a violência. O relatório reúne dados oficiais e informações produzidas pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), a partir do relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil – Dados 2025, para reconstruir a evolução dos homicídios no período. Entre 2020 e 2024, a soma dos registos oficiais utilizados pelo CNDH chega a 957 assassinatos de indígenas: 182 em 2020, 176 em 2021, 180 em 2022, 208 em 2023 e 211 em 2024. O cálculo representa uma média superior a 190 mortes por ano, ou mais de uma morte a cada dois dias. O número do CNDH não corresponde, entretanto, à quantidade de casos individualmente documentados pelo Cimi. Nas mesmas cinco edições, o Cimi registou 45 vítimas em 2020, 77 em 2021, 69 em 2022, 88 em 2023 e 55 em 2024, num total de 334 vítimas. A diferença não representa necessariamente divergência sobre os mesmos fatos, mas decorre principalmente da metodologia. O próprio CNDH reconhece que os registos oficiais são parciais, estão sujeitos a atualização e podem subestimar a realidade, especialmente porque nem sempre alcançam indígenas que vivem em contexto urbano, acampamentos e retomadas. Na avaliação do CNDH, o cruzamento com os registos do Cimi ajuda justamente a revelar aquilo que os bancos estatísticos não explicam: motivações, circunstâncias e padrões de violência.”, assim começa o relatório do Cimi sobre os crimes praticados de 2020 a 2026, do relatório citado…
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