BIBLIOTECA

Repositorio digital: artículos, opiniones, entrevistas, reportajes, libros, revistas, boletines, comentarios bíblicos, recursos y eventos.

2014: ano de Francisco

[Luiz Alberto Gómez de Souza]

Luiz Alberto Gómez de Souza*
Um ano de conflitos: “uma terceira guerra mundial pode ter começado aos poucos, com crimes, massacres e destruições”, nas palavras angustiadas de Francisco. Síria devastada; nascimento de um novo califado islâmico no norte dessa mesma Síria e em boa parte do Iraque, até perto de Bagdá – antiga sede gloriosa do califado abássida (750 - 1258), perseguindo muçulmanos chiitas, mesmo alguns sunitas, alauitas, yázidis, curdos e minorias cristãs, degolando ocidentais sequestrados; Paquistão e Afeganistão ameaçados pelos Talibãs;  Boko Haram, na Nigéria, sequestrando meninas e querendo criar outro estado islâmico; Ucrânia, perdendo a Criméia e com suas províncias orientais ameaçando secessão; milhares de refugiados subsaarianos e árabes, desembarcando na Itália e na Espanha em frágeis embarcações, deixando para trás seus mortos que pereceram na viagem. E poderíamos elencar outros conflitos, muitos endêmicos, como no Sudão. Ao mesmo tempo, a Arábia Saudita e os Estados Unidos jogando para baixo o preço do petróleo em manobras especulativas, criam problemas para outros países produtores, inclusive para o pré-sal no Brasil. Governos europeus enfraquecidos tentam contornar suas crises com medidas duras exigidas pela Merkel; porém, em outra direção, vem a esperança da vitória, na Grécia, do renovador partido Syrisa. Barak Obama está em parte neutralizado por um congresso reacionário e racista. Mas em sentido contrário, temos Brasil, Argentina, Uruguai, Chile, Bolívia, Equador, Nicarágua, El Salvador e Venezuela com políticas sociais populares, para horror de suas elites atrasadas, que controlam mídias ferozes e derrotistas. À frente, três mulheres valentes e um índio aimara.
E no fim do ano, em 17 de dezembro, uma notícia inesperada e feliz, para os que não aceitávamos o embargo a Cuba de tantas décadas. Um diálogo entre Obama e Raul Castro, através da discreta e firme mediação do bispo de Roma, que nesse dia completava 78 anos. Olhando o ano que terminou, estamos descobrindo Francisco como o personagem mais luminoso, num mundo carente de expressivas lideranças. Na sua recente Mensagem de Natal, exigiu paz e diálogo num planeta em crise. E no pronunciamento de 1º de janeiro, insistiu que “a paz é sempre possível”. Há muito tempo não se tinha visto uma personalidade tão forte e ao mesmo tempo com meios materiais tão frágeis. “Quantas divisões tem o Papa?” perguntara irônico o poderoso Stalin. A força de Francisco vem de uma ética e de uma espiritualidade irradiantes e de uma enorme capacidade de escuta e de diálogo.

LEER MÁS

debugger
0
0

CONTACTO

©2017 Amerindia - Todos los derechos reservados.