O Espírito Santo: Caminhos e descaminhos de um vocábulo cristão

31 de Mayo de 2026

[Por: Eduardo Hoornaert]




Nascemos com uma admirável capacidade imaginativa. Além de nossa capacidade de ‘estar no mundo’ por meio de nossos cinco sentidos físicos, desde a primeira infância conseguimos ordenar ditos esparsos e desconexos, ouvidos da mãe, numa ‘gramática’ gerada no cérebro, que posteriormente será aperfeiçoada na escola. Por meio de uma capacidade imaginativa, metafórica, contemplativa, poética, simbólica, alegórica, as palavras, que ouvimos e passamos a produzir, podem ganhar significados novos, para além das informações fornecidas pelos nossos cinco sentidos. Como indica o verbo grego metaferô, que significa ‘transferir’, a metáfora é uma transferência, uma comparação. Por meio dela, ultrapassamos a percepção física por meio de uma poética, criativa e construtiva capacidade de fazer com que palavras adquirem ‘novos poderes’.

 

Essa nossa capacidade metafórica nos permite falar em Deus. Pois nosso discurso teológico é inevitavelmente metafórico, comparativo, antropomórfico e, portanto, aproximativo e provisório, já que deriva de nossas experiências humanas, que são aproximativas e provisórias, condicionadas por tempo e espaço. E, como não entendemos ou apenas compreendemos parcialmente as experiências históricas humanas de ontem e de hoje, o que se nos impõe, ao lado da admiração e do bom uso, é um sadio senso de modéstia, provisoriedade e complexidade em nossas investigações.

 

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